Terça-feira, Janeiro 27, 2009

A Falsa Questão

no futebol há muitos conceitos-pré
querem-se menos erros
mas fica-se na mesma
como há 50
anos
"tecnologia?"
"não obrigado!
em nome da verdade desportiva queremos errar
para gerar conflito!"
...
naturalizações é outro
porque no futebol tudo é falso
lesões
ordenados
birras
as lesões parecem verdade mas não são
os ordenados não parecem mas são verdade
as birras são mesmo birras
mas por motivos que parecem mentira
e o zé povinho desconfia daquele rapaz querer representar o país
porquê?
e para quê?
ou para quem e por quem.
vejo Tchikoulaev's, Spachuk's, Murré's, Ubirajara's
sem contestação
porque quando entra em campo uma selecção
entra um grupo
e todas essas diferenças deixam de existir.

ouço com sobressalto um jornalista que pergunta a um jogador da bola
"Então mas já sabe cantar o hino?"
o problema continua
o hino não é uma música
não se canta
deveria ser sentido
como naquele bonito estádio em frança foi chorado

e o entusiasmo continua, quase dois anos depois...

Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Os sacrifícios de Obama e McCain

"O comércio livre foi o elixir da vida capitalista. E fazer dinheiro, e gastá-lo, foi o motor do "american way of life". Os EUA habituaram-se a ter um oásis de dinheiro, mesmo quando havia deserto à volta. Foram os fluxos de dinheiro externos que alimentaram, em grande parte, o sonho de consumo americano.
Já poucos se lembram, nos EUA, daquilo que um dia John F. Kennedy, adaptando uma frase do místico libanês Kahlil Gibran, disse: "não perguntem o que o vosso país pode fazer por vós - perguntem o que podem fazer pelo vosso país".
Era a resposta a essa pequena pergunta que Barack Obama e John McCain, deveriam ter dado na sua última presença televisiva. Perguntaram-lhes, inocentemente, que sacrifícios estavam dispostos a pedir aos americanos. Ambos se esqueceram de responder.
Esta geração de políticos não aprendeu a ripostar a este tipo de perguntas. O discurso político habituou-se a dar coisas boas e não a pedir sacrifícios. Por isso se tornou tão ilusório como a riqueza fictícia que alimentava as veias do sistema financeiro global.
A pobreza da presença televisiva de Obama e de McCain resumiu-se a isto: não podem dar respostas a questões como estas porque têm medo de perder votos. Só que as eleições americanas serão o farol do novo capitalismo. Mas, até lá, ninguém quer dar más noticias. Sabe-se que os americanos não precisam de dúvidas. Deixam essas para os europeus. Querem certezas. A pergunta é simples: quem lidará melhor com a crise? A resposta parece ser cada vez mais evidente"

Fernando Sobral, in Jornal de Negócios

Sexta-feira, Maio 09, 2008

Rituais

Há coisas para as quais não nasci preparado
E sobre as quais temo nunca vir a compreender
Não falo de Igreja nem de política
coisas mais terrenas
+ de cá - do além
Acontece então nos dias que correm (com - +pressa)
jovens rapazes e raparigas
aqui o sexo não os distingue
em vésperas de assistirem a um qualquer concerto de um qualquer artista
não plástico senão conserto seria
se recolhem a seus aposentos
por forma a escutarem, com atenção, letras e melodias + -conhecidas
fico na dúvida de quem dará o espetáculo
pelo - o melhor
tenho dúvidas de quem se preparou +
O concerto termina
leva com ele letras e melodias
nada + havia deixado
o artista do público espera por nova inspiração do artista em palco
(todo o ser respira!)
e um novo ciclo se reinicia.


Pode ser o meu ouvido que é (um) pouco mouco.

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Muro das Lamentações

Estou indeciso entre escrever sobre o quão mau é o Carnaval ou choramingar um bocado sobre as dificuldades de (tentar) ser engenheiro.
Opto pelo primeiro
é mais fácil resumir:
O Carnaval é uma merda.

Sábado, Dezembro 22, 2007

Bem-Haja!

Só para me informar que estou vivo
e que ainda não atingi o estado de demência total
já tive uns longos segundos para respirar
e os mais cépticos podem acreditar:
respirar melhora significativamente a qualidade de vida.

A agulha da vitrola foi substituída
andou vários meses a riscar o mesmo disco
agora tem Sonny
que não é uma marca de produtos electrónicos
tal como Parker não é uma marca de esferográficas
Sonny que é como aquele porto que sabe tão bem beber com este tempo frio
e com o tempo quente

Sexta-feira, Outubro 05, 2007

Leo Bassi

No palco
um trono no topo de umas escadas
três maças num patamar
um piano ao canto

surge por detrás do público
60+ anos
fato e gravata
óculos de armação larga preta
uma luz ilumina-o
incomoda-o
senta-se no trono e discursa
"a minha primeira provocação(...)"

muda a música
mexe-se de forma eléctrica
três maças arremessadas ao público com um pau
uma melancia explode com a força dum martelo gigante
e dança energicamente

pára.

"estou deprimido
sem energia (...)
Londres, Toquio, Berlim, Paris
agora Águeda (...)
quero morrer"
Verte liquido para o chão
para os cortinados
em si mesmo
vê-se fogo
(...)
assistia-se a uma dualidade sádica no público
o da frente rezava para que nada acontecesse
encolhia-se
o de trás descontraído
queria tudo a arder!

"há um problema
voçês começam a amar-me
não quero isso
quero que tenham medo.
podia matar quinze pessoas
haveriam 375 pessoas felizes nesta sala
e 15 não tanto
mas Portugal é um país democrático
temos de dar prazer à maioria!"

despede-se manchando com sangue a sua
"camisa branca como a minha virgindade!"
e um discurso bonito
sai em grande!
.
.
.
volta ao palco
"sair como herói é uma merda!"
faz revelações do espectáculo
chamando-nos autenticamente burros
e sai a dançar
em palmas
pela frente do palco
pelo meio do público
ainda maior.