Dia de jogo na Champions, tensão no ar. Passo o dia no interior do Estádio, entre o relvado, os corredores dos balneários e a sala de imprensa. Não é preciso muito tempo para perceber que essa tensão está mesmo é dentro de nós. O staff do Chelsea é invisível. A meio da tarde, nos mesmos espaços, os jogadores passeiam como todos fizéssemos parte do mundo. E fazemos, de facto. Lampard procura algo para lanchar, Makelele pisca o olho, sorri, trocam-se palavras, passa Mourinho, brinca, diz que não, não estou nada mais magro, conversa circunstancial mas respirando futebol. Nesses instantes percebe-se onde podem começar-se a ganhar os jogos. Não existem fantasmas, existe futebol de verdade. Humano, fora do campo. Feito de máquinas, dentro dele. Não há espaço para receios. Duvido que nos ipods ouçam o som dos Clash ou dos Sex Pistols, pais do punk que nos anos 70 nasceu nas mesmas ruas, mas há um carácter para um império.
Se, depois, em campo, todo este elo ameaça partir-se, emerge Drogba. Quando o jogo pára, chega a ir ter, um por um, com todos os jogadores e transmite-lhes garra, com gritos e gestos. Todos? Bem, quase todos. Há outro que, entretanto já pegou na bola, para, mesmo com o jogo parado, continuar a controlá-lo: Lampard. São os gigantes do futebol moderno.
por Luis Freitas Lobo













