sábado, maio 12, 2007

"Do You Speak Jazz?"

Era uma vez uma jovem que não sabia falar inglês.
A jovem não se importava nada em não saber falar e escrever inglês, até porque inglesa não era.
Queria ela lá saber o que queria dizer auduiudu ou gudenaite, não lhe fazia falta, ela era e é portuguesa e sabia, isso sim, escrever e falar português, embora tivesse lido pouco Camões…

Até que um dia, ele há sempre um dia, a jovem - que se chamava Maria - decidiu passar a falar e a escrever inglês com ingleses e inglesas e com os de outras nacionalidades que já soubessem falar e escrever em inglês.
Era uma melhoria de vida, pensou e disse, uma maneira de melhor usar as suas capacidades de comunicação e apreensão de outra Cultura, uma nova Técnica que poria à disposição do seu intelecto.
Meu dito, meu feito.
Começou por aprender vocabulário, depois pronúncia, a mais correcta possível, gramática, sintaxe e, pouco a pouco, estava a dominar uma nova linguagem.
Foi com orgulho que um dia cumprimentou e desejou boa noite a um jovem turista que falava mal inglês - já opinião de Maria - que lhe perguntara onde é a Vasco da Gama bridge!.
Maria sentiu-se melhor, enfim mais culta, mais, mais Maria.
Ao que se sabe Maria não tem parado de desenvolver a nova linguagem que aprendeu afinal tão bem.
Já embirra com as legendas dos filmes falados em Inglês e já foi a Inglaterra, até à Escócia, onde o sotaque é outro mas também a tratam por Mary.

Com o jazz passa-se exactamente o mesmo, sem tirar nem pôr.
Jazz é só e apenas uma linguagem musical, com convenções estéticas e regras formais diferentes daquelas com que fomos educados.
Só sabemos, quando sabemos, da Música com a qual crescemos!
Temos espaço e capacidade para muito mais Música, Música que ponha a funcionar as adormecidas circunvalações do nosso cérebro musical.

Todos queremos ser melhores.
Ser melhor musicalmente,
é também entender um discurso improvisado por um músico solista,
é também acentuar os tempos fracos do compasso,
é também respeitar e admirar dissonâncias e erros,
é também admitir o uso total de um qualquer instrumento de sopro ou percussão, é também saber e gostar de jazz.

Quem sabe ouvir jazz, sabe ouvir outras músicas.
O contrário não é verdade.
Os apreciadores de jazz não podem ser uma eterna minoria!
Assim: oiça Armstrong como ouve Stravinsky,
Billie como Callas,
Jim Hall como Jimmy Hendrix,
Coltrane como Gould.

Visite o jazz.

Encontrará beleza nova.

*texto provavelmente de José Duarte, inserido numa iniciativa de divulgação do Jazz às crianças nas escolas.
http://www.uarte.rcts.pt/activ/jazz/apoio.asp

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