domingo, novembro 08, 2009

Um terceiro deus

"Creio que as teses de Huntington sobre o “choque de civilizações”, atacadas por uns e celebradas por outros aquando do seu aparecimento, mereceriam agora um estudo mais atento e menos apaixonado. Temo-nos habituado à ideia de que a cultura é uma espécie de panaceia universal e de que os intercâmbios culturais são o melhor caminho para a solução dos conflitos. Sou menos optimista. Creio que só uma manifesta e activa vontade de paz poderia abrir a porta a esse fluxo cultural multidireccional, sem ânimo de domínio de qualquer das suas partes. Essa vontade talvez exista por aí, mas não os meios para a concretizar. Cristianismo e islamismo continuam a comportar-se como inconciliáveis irmãos inimigos incapazes de chegar ao desejado pacto de não agressão que talvez trouxesse alguma paz ao mundo. Ora, já que inventámos Deus e Alá, com os desastrosos resultados conhecidos, a solução talvez estivesse em criar um terceiro deus com poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz. E que depois esse terceiro deus nos fizesse o favor de retirar-se do cenário onde se vem desenrolando a tragédia de um inventor, o homem, escravizado pela sua própria criação, deus. O mais provável, porém, é que isto não tenha remédio e que as civilizações continuem a chocar-se umas com as outras."

José Saramago, in O Caderno de Saramago

Brilho Nocturno


uma questão verde
sem pergunta
esbranquiçada se revela
em nome do melhor se exige
ambiente seu nome
mas a ou tonalidade sépia desaparece
ruas sombrias despidas frias
ferem quem olha e vê
mas pode ser a minha vista que é (um) pouco turva

Alta Definição


ou simplesmente HD
como preferir
inova
renova
um meio homogéneo
sem textura nem ideias
uma conversa pessoal
sem mascaras
nem adereços
à qual assistimos
camuflados pela caixa preta
termina
no fim
sem despedidas forçadas
nem promessas de encontros futuros
.
apenas